Actividade: Expedição invernal à Serra de Gredos
Data: 25 e 26 de Fevereiro de 2023
Local: Serra de Gredos – Espanha
Participantes: António Afonso, Daniel Pinto, Beatriz Silva, Edite Rodrigues, Nídia Ferreira, Humberto Lopes, João Cacheira, José Carlos, Tiago Araújo, Valdemar Freitas, Zé Pedro, Hélio Videira, Paulo Sousa
No âmbito das comemorações dos 25 anos do Alto Relevo Clube de Montanhismo, a secção de montanhismo organizou uma actividade de alpinismo na Serra de Gredos.
A Serra de Gredos é uma cordilheira no centro da península ibérica que abrange três províncias espanholas, Ávila, Toledo e Cáceres. Em Gredos encontramos circos, lagoas e paisagens moldadas pelas eras glaciares.
Os melhores exemplos são, o Circo de Gredos, a Lagoa Grande de Gredos e o pico Almanzor com os seus 2592 metros.
E é para aqui que fomos!
O líder da expedição (o alpinista António Afonso) e outros membros mais experientes iam dando conselhos e partilhando experiências online e os mais inexperientes ou totalmente inexperientes nestas aventuras na neve colocavam as suas dúvidas, que eram prontamente esclarecidas.
Fizemos ainda, dois encontros preparatórios na sede do clube, requisitar material, dúvidas quanto à roupa, mochila, comida, preparar crampons, como os colocar, e aprendemos a montar correntes de neve nas rodas dos carros.
No dia da partida, combinada para a uma da manhã de Sábado 25 de fevereiro arrancamos três carros de Valongo com 10 montanheiros cheios de vontade de conhecer e subir os corredores gelados de Gredos. Mais a sul, partia um outro carro com três membros, o ponto de encontro seria “A Bodeguilla”, já em Hoyos del Espino às portas de Gredos.
A viagem decorreu com normalidade, de realçar apenas dois corços que atravessaram a estrada à frente dos três carros quase a chegar a Hoyos del Espino e quando os primeiros raios de sol começavam a iluminar a terra.
A Bodeguilla, é um café onde os montanheiros se encontram e reforçam o corpo e a alma com uns “bocadillos” energéticos, café com leite e podemos saber informações sobre as previsões meteorológicas. Aproveitamos ainda a paragem para nos vestirmos com roupa suficiente para não sentir frio durante as próximas horas. Já devidamente equipados e com as sandes na mochila seguimos para a Plataforma de Gredos.
Na plataforma apenas estivemos tempo suficiente para colocar as mochilas às costas e seguimos para o refúgio Laguna Grande, era um trekking invernal com cerca de 7 quilómetros e que poderia demorar entre duas a cinco horas, tivemos o primeiro contacto com neve e algum gelo vítreo que nos obrigava a ter atenção onde colocávamos os pés. Com pequenos desvios o caminho foi feito sem problemas.
Uma paisagem de montanha fabulosa e um caminho usado em tempos remotos pelos romanos para retirar o minério destas serras. Ligeiramente ascendente o que fez com que em breve parássemos para tirar alguma roupa, encher cantis e beber água na Fuente de los Cavadores.
Um pouco mais à frente passávamos o Alto de los Barrerones, a partir daqui íamos descer até ao refúgio, mas primeiro tivemos o espetáculo de ver o Circo de Gredos desde o miradouro de Los Barrerones, daqui vê-se os principais picos, Almanzor, Morezon, Tres Hermanitos, Ameal de Pablo, La Galana, o lago grande (congelado), o refúgio que visto daqui é um pequeno ponto disfarçado nas pedras.
É uma paisagem magnífica que merece ser apreciada!
Contornamos o grande lago até chegarmos ao refúgio, aí pousamos tudo o que não precisávamos para a actividade da tarde, comemos qualquer coisa e arrancamos.
Nessa tarde estivemos a aprender como funciona uma cordada, como fazemos uma auto-detenção, como subimos um corredor de neve com e sem crampons, como usamos o piolet, entre outros pormenores fundamentais para que uma expedição alpina seja um sucesso. O grupo entusiasmado ouvia e colocava em prática os ensinamentos, subimos um corredor em cordada e como a noite se aproximava, descemos para o refúgio. De realçar que muitos de nós nunca tínhamos usados crampons e piolet. Estava tudo muito bem, mas muito lento, como dizia o António, sempre bem-disposto!
O ambiente do refúgio estava animado, os montanheiros contavam as suas aventuras enquanto descansavam e hidratavam. O jantar estava muito bom, na hora da comida só se ouviam os talheres, o condimento “fome” deu um toque especial à refeição!!
Com o estômago alimentado, chegava a hora de repousar o corpo.
Devido às condições de gelo apresentadas no terreno neste ano, como medida de prevenção, o objectivo foi alterado para a subida ao Ameal de Pablo.
No domingo, o grupo saiu, já devidamente equipado com crampons e piolet, do refúgio em direção ao Ameal de Pablo, quando a inclinação se acentuou, fizemos três cordadas e lá fomos subindo até aos 2320 metros de altitude.
É espetacular a sensação que temos de subir um corredor com uma inclinação de 45º, olharmos cá para baixo e para a paisagem envolvente.
Iniciamos o regresso à hora estipulada, conforme previamente tínhamos planeado e, dessa forma, voltarmos ao refúgio, recolhermos as nossas coisas, alimentarmo-nos, para depois iniciar a caminhada de volta até à plataforma e aos nossos carros.
Na viagem e nos dias seguintes foi notória a satisfação de todos que estiveram nesta aventura e a vontade de regressar a montanhas no inverno.
Aproveito para agradecer, em nome do grupo, a organização desta actividade, e espero que no próximo inverno haja mais!
Hélio Videira
Fotos desta actividade aqui










