Relatório
Na madrugada do dia 22 de março de 2025, mais concretamente pelas 05 da manhã e debaixo da fúria da depressão Martinho, 5 elementos do Alto Relevo iniciaram uma actividade com o objectivo de alcançarem o topo do Pena Travinca em Espanha.
Augusto Monteiro, Beatriz Silva, Hélio Videira, Edite Rodrigues e Paulo Almeida imunes à ameaça do mau tempo, partiram confiantes em mais uma aventura.

Já chegados a Espanha, a neve começou a mostrar-se, primeiro de forma tímida mas com o aproximar do destino, começamos a ter um a noção daquilo que nos esperava.
O plano era começar na Laguna de los Peces em direção ao refúgio Vega del Conde, onde iríamos pernoitar e daí alcançar o topo do Pena Trevinca.
Mas a depressão Martinho não queria saber disso para nada, e embora o cenário fosse bonito o que era certo é que a neve caia quase na horizontal, puxada a vento, e a que estava acumulada não tinha consistência para aguentar o peso de um português com uma mochila de autonomia às costas.
Os cinco intrépidos montanheiros lutaram contra os elementos, um batalha épica numa enorme tela branca em que todo o cenário parecia estar por pintar.

Não valia a pena arriscar e, numa reunião de emergência e ponderada concordou-se em abortar a missão e regressar.
O mau tempo era tal que o nosso trilho de pegadas foi apagado pelo vento glaciar que se fez sentir num espaço de minutos.
Chegados à viatura, era hora de pôr em prática o plano B, ficarmos no refúgio Montanero de San Bernardo, a poucos km do início do trilho.

Um local bem acolhedor, com óptimas condições e com um atendimento muito simpático. Recuperamos forças, e depois de lanchar uns bocadilhos de jamon com uma bela cerveja espanhola, resolvemos regressar no dia seguinte para treinarmos pelo menos quedas na neve com material técnico (piolet e crampons).
Mas lá estava o resto da fúria da depressão Martinho, que embora nos apresenta-se um dia de sol, fustigava com um vento forte e gélido, quem se atrevesse a fazer actividades de montanha.
Chegou-se á conclusão que não havia condições de segurança para qualquer actividade naquele sítio, e resolvemos descer para uma cota mais baixa e fazer um trekking.
Dirigimo-nos para o parque de estacionamento de Ribadelago, onde escolhemos a senda de montanha 4 (Los cânones del Cárdera y Segundera), 10,5 km, circular, com cerca de 700 metros de desnível positivo, e com tempo estimado de 4h30m de duração.

Percurso fantástico, fomos brindados por carvalhos cobertos de líquens, pequenos ribeiros, e o mais curioso, estava sol mas caia neve que o topo da montanha lançava sobre nós.
Na cota mais alta do percurso, muita neve mas propícia a caminhada tranquila com vista para os lagos que nos apareciam de surpresa.

A descida um pouco mais dura, muita pedra, água mas igualmente fantástica.
No geral, embora um pouco frustante não conseguirmos o objectivo de alcançar o Pena Travinca, foi um fim de semana espectacular, de actividades saudáveis que enchem qualquer montanheiro de um espírito positivo.
Havemos de voltar e conquistar o Pena Travinca.
Paulo Almeida
Mais fotos da actividade aqui










